Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
a fantasma

 

 

Ser mulher, esposa, mãe, filha, irmã, amiga, psicologa, professora, profissional, amante!

tantos são os papeis que a mulher desempenha

 

No seu lar ela tem a sua base, o seu aconchego, as suas raízes

seu marido ajuda na arrumação quotidiana da casa, vai pôr e/ou buscar os filhos á escola,

ajuda nas compras no supermercado, ajuda na cozinha, da-lhe massagem nos pés

na cama ela pode encostar-se, refugiar-se nos seus braços, aquecer os pés (deve ser fetiche esta dos pés)

á mesa eles organizam o dia, cuidam da educação dos filhos, distribuiem tarefas

ao fim de semana, saiem para visitar amigos, parentes ou para um pic-nic em familia

São uma familia!!!

O núcleo da sociedade!

 

Um dia ela chega e existe a mesma rotina, as mesmas tarefas, os mesmos risos, mas não ha suporte de olhar??? sera que imagina ou sera verdade???

amanhã pensa nisso!!!

 

O abraço que a recebia quando ela se metia nos lençois, já não tem a mesma força,

O desejo dele já não é tão intenso,

não a recusa mas... há algo, não sabe bem o quê.

amanhã pensa nisso!

 

Dia após dia, noite após noite, a vida continua.

São anos de casamento.

 

Uma noite a sua intuição desperta:

- "Tens outra?"

- "Nâo! Que ideia a tua!!! Dorme!"

- "Tens outra?"

- "Ora bolas que raio de conversa a tua a esta hora! Dorme! Deixa-me dormir que amanhã tenho de acordar cedo!" 

- "Tens outra não tens?"

- "Ai mulher que já me estas a chatear! Claro que não!!! Dorme!"

 

Com o fantasma presente no seu coração, ela não adormece tão cedo. Deixa-se ficar deitada no escuro, ouvindo o ronco dele.

a sua cabeça não lhe dá treguas, pesa os prós e os contras, a dor vai-se acumulando, enchendo seu peito!

Dormita, sonha, acordada. O despertador toca. Ambos se levantam, como todas as manhãs.

 

Olha-se no espelho mas não se vê!

 

a desconfiança ja germinou! Passa a observa-lo melhor, telefonar para o emprego, pedir-lhe para fazer mais tarefas, controlar os seus horarios, o conta kilometros do carro, ai se lhe apanha o telemovel!!! Por que ela não sabe o codigo??? Por que ele o desliga antes de ir para a cama?? Por que o tem no silêncio??? O computador, claro, como foi idiota, tem de entrar no utilizador dele!!! Porque raio haveriam eles de terem diversos utilizadores??? Ninguem tem segredos, aquela historia de o disco ter pouca memória, já não lhe soa bem!!!

 

Deixa de ter apetite, de sorrir quando chega ao empego, de ter paciência para as dúvidas e perguntas dos filhos, o seu humor vai-se modificando.

 

Mas é inteligente!!!

à noite toma duche, perfuma-se e com a lingerie favorita dele (aquela que ele sempre elogiou), mete-se na cama.

Procura o seu corpo, oferece uma massagem.

ele deixa-se levar na conversa das mãos, pelo toque suave nas suas costas, mas o tesão não vem!

ou até pode vir mas, é uma rapidinha, um desejo de momento, não ha intimidades prolongadas, não ha a noite de sexo e luxuria que ela se propunha ou esperava ou desejava ou ou ou

 

o fantasma toma forma!

a dor aumenta!

o afastamento é notorio!

em vez da intimidade de risos e alegria, ela aproveita todas as oportunidades para o fazer sentir-se mal, para o diminuir!

 

Ele sente-se infeliz, a sua mulher, nem sabe muito bem porquê, esta cada vez mais agressiva, mais distante.

 

Frequenta sites onde pode ver mulheres nuas e lindas, desejaveis.

daí ao messenger e troca de telefone.. é um passo!

 

o encontro para tomar um cafe e se conhecerem... transforma-se num hábito!

 

Mas.. anda controlado!

Necessita da ajuda do melhor amigo, do colega de trabalho mais intimo, para se poder escapar.

 

pensa em tudo para não levantar desconfiança (pensa ele).

 

Enfim, o núcleo foi afectado.

A dor marcou territorio!

A união quebrou-se!

 

Em vez de dialogos existem monologos. Usam os filhos para se comunicarem, a cama é ocupada nos extremos.

 

Fantasmas que se tornam vivos, palpaveis, dilacerantes.

 A dor da infidelidade não tem comparação!!

 

 

 


sinto-me:

escrito por Infiel às 19:55
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13 comentários:
De Simplesmente eu a 24 de Junho de 2007 às 12:19
Bom dia! Estive a perder algum tempo a ler os teus posts atrasados, comecei por este e passei por outros e como me identifico com as tuas histórias!
Infidelidade é isso mesmo e realmente só sabemos como é quando somos a "outra"!
Quando os homens são infiéis mas não se esquecem que são casados e tratam a mulher e até os filhos com o mesmo carinho e atenção de sempre, parece que a traição, mesmo sendo muito dolorosa suporta-se de maneira diferente...a chatice toda é que eles provam o novo e esquecem-se do antigo, logo aí fazendo com que as suspeitas comecem...fazemos perseguição, tentamos apanhar qualquer coisa, vasculhamos aqui e ali e eles ainda nos maltratam por isso!
Felicidades...




De Infiel a 24 de Junho de 2007 às 13:25
Procuramos provas para os olhos, porque o coração já sabe mas... não acreditamos! não queremos acreditar! e ao mesmo tempo buscamos a verdade como se só ela nos pudesse tranquilizar, sabendo que o que fazemos só nos vai destruir
Ser responsavel com emoções e comportamentos deveria ser prioridade nas relações individuais e colectivas mas... cada um tem o seu caminho e, com dor vamos aprendendo
Obrigado por me visitares e partilhares emoções
Felicidades para ti também


De smilei a 29 de Outubro de 2007 às 18:07
Para infiel:
Infelizmente só hoje entrei por estas bandas, mas tenho que concordar contigo! Sendo que também se aplica ao outro lado e a conclusão a que cheguei escrevia no meu blog, por isso acho que devias ler.


De eu a 10 de Janeiro de 2008 às 11:10
A outra não é um fantasma. A outra existe, tem sentimentos, preocupa-se, sofre.
É uma pessoa como a "legítima" (odeio esta palavra, mas é só para me fazer entender). É alguém que busca amor, carinho, compreensão. Que procura ser feliz.
Não é um ser diabólico que pretende destruir vidas alheias. Apenas se apaixonou. Apenas não o evitou... talvez lhe fosse impossível.
Sexo é apenas uma dimensão da questão. Acredito até que, nalguns casos, seja apenas isso. Não sei. Não é esse o meu caso.
Amo apaixonadamente. Mas preocupo-me tremendamente com as consequências desse amor. Estou disposta a desistir desse amor, a sofrer essa perda terrível, para não fazer sofrer alguns seres inocentes.
Mas essa é apenas uma de nós. Somos muitas. Lutamos por ser felizes. Lutamos por fazer as coisas correctamente. Mas o que é isso?
Uma quer desesperadamente ter esse amor. Poder desfrutar dele de uma forma plena. Sem ter que magoar ninguém por uma coisa que parece tão certa. Tão perfeita.
Outra chora de desespero por saber o que isso significa. Olha para todos os lados e procura uma solução isenta de dor. Não há!
Os caminhos a seguir multiplicam-se à nossa frente. Não sabemos qual o próximo passo a dar. Temos medo. Mas amamos. E isso é tão poderoso. É uma força tremenda. Que nos faz esquecer dificuldades. Que nos faz querer mais. E todas nós nos entregámos. Sem reservas. Nenhuma ficou para trás a tentar fazer-nos arrepender. A uma entrega assim só pode corresponder uma dor asfixiante.

Posso escrever assim tanto? Desculpem... mas estou por aqui nesta terrível encruzilhada.

Coloquei este comentário noutro post ... mas era exactamente aqui que eu o queria colocar!


De Infiel a 16 de Janeiro de 2008 às 03:37

respondi-te no outro post e acrescento: numa união só o conhecimento ou desconfiança de uma terceira pessoa é suficiente para abanar as estruturas
pode-se aprender com a situação e tornar a união mais forte ou...

a terceira pessoa é sempre a 3ª pessoa! por mais que se entregue, deseje, ame, é a outra

e o caminho é sempre aquele em que a pessoa se sente melhor

pode-se aceitar ter um papel secundario ou pode-se lutar pelo principal

tanto um como o outro são primordiais para o desenvolvimento de cada ser porque onde há sacrificio, forma-se karma e a vida serve para limpar karmas, não para os aumentar

as relações inter-pessoais devem servir para haver oportunidade de amar e ser amado, sem sacrificio e tudo passa! tudo tem perdão!

Desejo-te muita tranquilidade e muita luz para poderes sentir dentro de ti em que ponto estás do teu caminho

Um abraço




De lilasazul a 16 de Janeiro de 2008 às 10:16
Só para clarificar: eu e a lilasazul somos a mesma pessoa!
Mas só decidi criar o meu blog depois de escrever o comentário. Achei q não devia usar o teu blog para expor a minha alma. Ele serve para expores a tua!
Obrigada por responderes.


De Infiel a 25 de Janeiro de 2008 às 23:28

deixaste de escrever??


De lilasazul a 7 de Fevereiro de 2008 às 16:28
Tenho escrito coisas demasiado confusas para mim, para as conseguir colocar num blog. Para me conseguir expor dessa forma. Estou a atravessar o deserto e sinto que o devo fazer sozinha. Sem confortos de nenhuma espécie.
Mas obrigada por te lembrares de mim.
Um abraço


De Infiel a 7 de Fevereiro de 2008 às 22:37

Podes contar comigo se quiseres companhia num oasis que se cruze nesse teu deserto

Um abraço com desejos de muita luz


De lilasazul a 9 de Fevereiro de 2008 às 12:04
Obrigada.
Já escrevi mais um testamento no blog da Lilás Azul.
Continuo nesta montanha russa que me faz passar por todos os sentimentos. Que me faz perder a respiração, gritar de prazer, dor e medo!


De Infiel a 9 de Fevereiro de 2008 às 19:06

ja o li e cheguei á mesma conclusão: estás mesmo numa montanha russa, porque não consigo saber de que lado estás, excepto em todos os lados
a escrita é só para ti e tu mesma não chegas a nenhuma conclusão
só te posso dizer que ás vezes temos de parar, sómente parar!! Mas tu mesma saberás quando esse momento chegar!

Um abraço


De lilasazul a 10 de Janeiro de 2008 às 11:49
eu, a "outra", sobre ele, o "outro"

Estilhaços de mil cores
Que me entorpecem os sentidos
E me ferem a alma
Doce e cruel adeus
Olhares perdidos
Mãos vazias e sozinhas
Atadas e silenciosas
Um manto de realidade
Desce suavemente sobre mim
Pesado
Esconde devaneios, alucinações
Murmúrios ditos em segredo
Gritos de amor e de medo
Longínquos delírios
Distantes de tudo
Vagueiam em céus azuis
Frios
Sonhos efémeros
Desvanecem-se
Em estilhaços de mil cores
Que me deixam sem ti

Podes visitar o meu blog, que acabei de criar. Com mais alguns devaneios sobre o cruzar de vidas paralelas.


De Infiel a 16 de Janeiro de 2008 às 04:00
e gostei do teu blog

continua a divagar sobre encontros e desencontros, é sempre bom escutar outras almas, outros sofrimentos e devaneios e loucuras e amores

um abraço


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